-- Temas Acadêmicos de Psicologia --

- Aqui estão alguns Temas do mundo da psicologia,
que podem ser úteis para qualquer pessoa.



- Artigos:

-Acupuntura: Tratamento natural, milenar e científico.
-Alimentação: fracione, organize, equilibre!
-Ansiedade
-Ansiedade de Desempenho no Esporte
-Ansiedade de desempenho no vestibular
-Ansiedade e medo de dirigir
-Ansiedade e Terapia Cognitivo-Comportamental
-Assertividade
-Colecionismo
-Como iniciar uma conversação?
-Como lidar com a raiva
-Compulsão ao Jogo
-Depressão não é só Tristeza
-Disfunções Sexuais
-Efeitos das Emoções Positivas
-Felicidade
-Felicidade Autêntica
-Mas, o que é auto-estima?
-Medo de Voar de Avião
-Medo do tratamento Odontológico
-Nutricionista Adriana Lauffer
-O Medo de Errar
-Perdoar faz bem
-Perfeccionismo: escravidão pela perfeição e oposição à  frustração
-Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
-Transtorno do Comer Compulsivo
-Tratamento do Tabagismo
 

- Artigos:

- >Compulsão ao Jogo -

->Jogar: lazer ou atividade de risco?

Um conceito antigo, o “modelo moral”, afirmava que o jogo excessivo era considerado um vício. O jogador era considerado um sujeito fraco, egoísta e irresponsável. Hoje, a comunidade científica afirma categoricamente que o jogo patológico não é um vício, não é um defeito moral, é considerado uma doença – “modelo médico”. À parte desse modelo médico, o jogo pode ser considerado um problema de controle. Considerar o jogo como doença permite um deslocamento da responsabilidade da ação do jogador a um processo de doença insidioso. A adição ao jogo não é somente jogar muito dinheiro ou perder muito tempo, a grande diferença entre um jogador adito e o jogo de um jogador social é que esse último controla seu comportamento de jogar, estabelece limites para sua conduta. O adito deixa de jogar quando o dinheiro acaba ou quando os familiares vêm buscá-lo. O controle de seu comportamento é externo, ele perde tal domínio quando joga. Uma particularidade que distingue o jogador adito do jogador social é a caça. A caça consiste em jogar para recuperar o dinheiro perdido, levando o sujeito a aumentar quantidade e a freqüência das apostas.

CARACTERÍSTICAS DOS JOGADORES

- Social
Ocasional
Entretenimento
Interação social
Interrupção independe das perdas e ganhos
Controle
Resultado não interfere na auto-estima
- Profissional
Controle
É sua forma de vida
Cálculos ponderados
Não joga pela paixão
- Adito
Jogar é uma necessidade
Perda do controle
Joga para diminuir a ansiedade, a tensão ou para fugir de um vazio interior
Otimismo irracional: Supervalorização do êxito e minimização dos resultados negativos
Pensamento mágico/supersticioso: Falhas em compreender a realidade estatística
Culpa, autocompaixão, autocastigo
Prejuízo familiar, social, profissional e financeiro


Fases uniformes e progressivas no jogo patológico, com complicações previsíveis, são descritas por Custer, um dos maiores investigadores nessa área.

1ª - Fase dos ganhos: jogar é uma aventura divertida e excitante. A sorte inicial é rapidamente substituída pela habilidade de jogar. As vitórias tornam-se cada vez mais excitantes e o indivíduo passa a jogar com maior freqüência, acreditando que é um apostador excepcional. As perdas são vistas como má sorte, maus conselhos, azar (fatores externos). Um indivíduo que joga apenas socialmente geralmente pára de jogar nessa fase.

2ª - Fase das perdas: a atitude de otimismo irracional sobre os ganhos passa a ser característica principal do jogador patológico. O jogo não sai de sua cabeça e ele passa a ir jogar sozinho. Depois de ganhar uma grande quantia de dinheiro, o valor da aposta aumenta consideravelmente, na esperança de ganhos ainda maiores. Perder é intolerável. O dinheiro que ganhou no jogo é utilizado para jogar mais, em seguida, o indivíduo emprega o salário, economias e dinheiro investidos. Essas perdas ameaçam a auto-estima do jogador. Tenta pagar rapidamente as dívidas para evitar que a família e os amigos descubram. A mentira e o ato de enganar se tornam freqüentes. A pressão dos credores intensifica, ameaçando a segurança e o segredo. Nesse ponto, tende a fazer uma confissão parcial e promessas de parar de jogar.

3ª - Fase do desespero: evidenciada pelo aumento de tempo e dinheiro gastos, pelo afastamento da família, pela instalação de um estado de pânico, pois o jogador percebe o tamanho de sua dívida, pelo o desejo de pagá-la prontamente, pelo isolamento de familiares e amigos, pela reputação negativa que passou a ter na sua comunidade e, finalmente, por um desejo nostálgico de recuperar os primeiros dias de vitória. A percepção do problema pressiona o jogador, que tende a jogar ainda mais, na esperança de ganhar uma quantia que possa resolver todos esses problemas. Alguns jogadores passam a utilizar recursos ilegais para obter dinheiro. Ocorre a exaustão física e psicológica, levando à depressão. Podem ocorrer pensamentos suicidas.

Tratamento

A psicoterapia grupal ou individual envolve técnicas cognitivas e comportamentais de distanciamento (desintoxicação) do jogo, controle do dinheiro, mudanças de hábitos, aquisição de habilidades de enfrentamento e autocontrole, reestruturação de crenças, exposição e prevenção de recaída. A orientação familiar é uma ferramenta imprescindível e muitas vezes os familiares são considerados co-terapeutas no tratamento do jogador.

Autor/ Fonte
Márcia Copetti.com.br / Fonte: PRIETO, M. Adicção ao jogo. In: RANGE, B. Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed. 2001.






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