-- Temas Acadêmicos de Psicologia --

- Aqui estão alguns Temas do mundo da psicologia,
que podem ser úteis para qualquer pessoa.



- Artigos:

-Acupuntura: Tratamento natural, milenar e científico.
-Alimentação: fracione, organize, equilibre!
-Ansiedade
-Ansiedade de Desempenho no Esporte
-Ansiedade de desempenho no vestibular
-Ansiedade e medo de dirigir
-Ansiedade e Terapia Cognitivo-Comportamental
-Assertividade
-Colecionismo
-Como iniciar uma conversação?
-Como lidar com a raiva
-Compulsão ao Jogo
-Depressão não é só Tristeza
-Disfunções Sexuais
-Efeitos das Emoções Positivas
-Felicidade
-Felicidade Autêntica
-Mas, o que é auto-estima?
-Medo de Voar de Avião
-Medo do tratamento Odontológico
-Nutricionista Adriana Lauffer
-O Medo de Errar
-Perdoar faz bem
-Perfeccionismo: escravidão pela perfeição e oposição à  frustração
-Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
-Transtorno do Comer Compulsivo
-Tratamento do Tabagismo
 

- Artigos:

- >Ansiedade e medo de dirigir -

-> A ansiedade e o medo de dirigir podem sugerir sentimentos e pensamentos múltiplos relacionados, não só com o ato de dirigir em si, mas com fatos diversos: como dar conta de um sistema complexo - articular o interno do veículo (ato de guiar) com o externo (o trânsito, propriamente dito,) como evitar acidentes, como evitar que o carro “volte” na rampa, como saber se há espaço suficiente entre um carro e outro, como fazer parte de trânsito sem “atrapalhar”, como estacionar o carro, qual a importância que o sujeito dá para o quê os outros pensam de seu desempenho no trânsito e como evitar que o carro apague.

O Centro de Psicologia Especializado em Medos (CPEM), de Curitiba, que atende, há mais de 10 anos, pessoas com medo dirigir, sugere através da prática de atendimento clínico, que esse medo, tanto pode ser classificado como um medo do desconhecido, da falta de habilidade de guiar um carro até como uma fobia simples (específica); também pode estar associado a um quadro de ansiedade social. Neuza Corassa, do CPEM, foi registrando um padrão típico do comportamento: de cada dez pessoas que procuram o CPEM com essa dificuldade, oito já têm a carteira de habilitação e/ou carro na garagem. Segundo a autora, são pessoas que já foram ao órgão competente, já estão habilitadas para enfrentar o trânsito, mas dizem não a si mesmas. Em função disso, prepararam-se para uma dificuldade maior; mesmo que um outro as aprovem, elas continuam achando-se incapazes. São pessoas que fazem ou já fizeram coisas mais difíceis do que dirigir.

Cecília Bellina, de São Paulo, que também trabalha com medo de dirigir, constatou em uma amostra aproximada de 2000 sujeitos, que mais de 95% desses eram mulheres, sendo a faixa de idade predominante entre 30 a 50 anos e grande parte (95%) tinha habilitação.

O medo de dirigir enreda estímulos diversos, pois dirigir é uma atividade múltipla que envolve diversos comportamentos. Esse tipo de medo tem características peculiares, não vistas em outras fobias, pois, para algumas pessoas, o medo pode referir-se à perda de controle da máquina; para outras, o que pode causar elevada ansiedade é passar sob viadutos ou túneis. Estar exposto à observação e/ou à crítica é outra modalidade de medo de dirigir. O fato de a pessoa ser responsável pela condução do objeto que lhe cause medo é um aspecto próprio do medo de dirigir, sendo assim, quando o sujeito é tomado pela ansiedade, perde as condições necessárias para seu desempenho ao volante (Bellina, 2001).

As pessoas com tal medo dividem-se, basicamente, em dois grupos, segundo Corassa (2000):

Grupo menor: é constituído por pessoas que já passaram por uma experiência com acidente, em relação a si mesmas, a um familiar ou a um amigo; Grupo maior: é constituído por pessoas que simplesmente sentem um grau elevadíssimo de ansiedade só de pensar em sair com o carro. São preocupadas com o grupo social e com sua segurança, possuem uma imagem distorcida de si mesmas, de seu potencial. Para essas pessoas que têm medo, o carro é como se tivesse "vida própria" e fosse sair sem controle, causando danos pelos quais elas seriam responsáveis. As possíveis causas para tal medo interagem na construção dessa ansiedade dirigida ao carro e mascaram uma auto-exigência exagerada e uma elevada preocupação com o outro.

Neuza Corassa aponta que mulheres que apresentam o medo de dirigir, muitas vezes, têm medo do desconhecido, que aparece quando elas não têm garantia de um local para estacionar o veículo, ou quando um caminho tem alguma alteração no seu percurso, como, por exemplo, algum desvio.

A manifestação da ansiedade antecipatória aparece quando as pessoas pensam em sair dirigindo e até decidir, a dificuldade pode atingir dimensões insuperáveis. Pode-se dizer que o medo de começar a dirigir é maior do que o de dirigir. Quando alguém se assenta no carro, no seu espaço conhecido, essa dificuldade diminui significativamente (Corassa, 2000).

Há um aspecto perfeccionista no comportamento global dos fóbicos, o qual indica extremo cuidado e apego às regras sociais, preocupação com a manutenção de organização e certa rigidez de valores, apresentando um senso de responsabilidade social aguçado e dificuldade de enfrentar críticas.

O perfeccionismo está relacionado com o desempenho de alguma função, tal como dirigir e na versão patológica, o medo de dirigir caracteriza-se como ansiedade de desempenho. Segundo Cecília Bellina, o perfeccionista tem pensamentos são bastante distorcidos, confundindo o fazer o melhor que pode com o fazer o melhor que existe. Suas idéias concentram-se exclusivamente em realizar sempre o máximo ou a perfeição, o que, em alguns casos, pode lhe roubar a capacidade de sentir prazer ou de atribuir valor à quase tudo o que faz, já, afinal, ele é um ser humano e, como tal, é falível e imperfeito.”

Relembrar o erro faz parte do repertório comportamental do perfeccionista de desempenho, o qual não faz um exame do fracasso com o escopo de aprendizagem, mas pelo contrário, o sujeito revive cada etapa com sofrimento, recriminando-se e punindo-se, levando ao afastamento, por medo de errar, da situação que o levou ao erro (Bellina, 2001).

Autor/ Fonte
Márcia Copetti / Márcia Copetti






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